23 de abr de 2010

O Aleijadinho


O maior escultor do Barroco Mineiro.
Nascido numa época em que os poderes do mundo ocidental defendiam a escravidão e submetiam o povo à cruel e impiedosa inquisição.
Era filho de um construtor civil português com uma jovem africana – sua escrava.
Por ter nascido escravo, seu pai bom cristão que era, deu-lhe merecida alforria ainda na pia batismal.
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SUA FAMÍLIA E SUAS OBRAS
I – JOÃO FRANCISCO e MADALENA ANTUNES. Nascidos e falecidos em Portugal. Eram moradores no lugar denominado Pombais na freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas no patriarcado de Lisboa – freguesia esta situada no atual concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal. Eles foram os pais de pelo menos cinco filhos, que são pela ordem de nascimentos: 1) Antônio Francisco Pombal, 2) Teresa, 3) Manuel Francisco Lisboa, 4) Francisco e 5) Antônia. E dentre eles, dois emigraram para o Brasil no início do ano de 1718 ou pouco antes. Foram eles: Antônio Francisco Pombal e Manuel Francisco Lisboa, que se fixaram na então capitania de Minas Gerais.17

II-1 – ANTÔNIO FRANCISCO POMBAL. Nasceu em Pombais e foi batizado em 24/04/1689 - domingo, pelo Padre Domingos Pedroso, no então curato do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, hoje, concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal (Etombo: livro 2-B, caixa 2, folhas 164).17 Já tinha 29 anos de idade quando chegou ao Brasil, em princípios de 1718, junto com o seu irmão Manuel Francisco Lisboa. Era carpinteiro, pedreiro e um exímio construtor de casas. Foi autor do altar-mor da igreja de Nossa Senhora da Conceição - matriz de Antônio Dias, então distrito e hoje bairro de Ouro Preto, Estado de Minas Gerais.1 Em 12/02/1729, na Câmara dos Vereadores de Vila Rica, o mestre carpinteiro Antônio Francisco Pombal arrematou a obra do campanário da câmara e os consertos da cadeia de Vila Rica pela importância de cento e sessenta e sete mil réis. O campanário deveria ser construído sobre dois esteios de canela preta colocados na parte de dentro e subindo acima do telhado da casa da câmara o necessário para formar o referido campanário que seria rebocado, caiado e coberto de telhas. Depois de construído o campanário os vereadores publicaram um edital dando notícia de terem mandado fazer um sino que foi colocado na casa da câmara, para tocar às oito horas e meia da noite, com a finalidade de evitar os insultos, roubos e pendências que vinham acontecendo à noite em Vila Rica. Que após o toque do sino, saíssem rondas pelas ruas da Localidade prendendo todas as pessoas que cometessem insultos, delitos ou perturbassem a paz e o sossego público, e que essas pessoas seriam castigadas pela justiça no rigor de suas leis. E também, que toda a pessoa, que depois do toque do sino, fosse encontrada com sua loja ou venda aberta, estivesse ou não vendendo, fosse condenada a uma multa de doze oitavas de ouro para as despesas do Senado e prisão de vinte dias; tendo o réu que pagar a multa da cadeia aonde viesse cumprir a pena.2

II-2 – TERESA. Nasceu em Pombais e foi batizada em 01/04/1694 - quinta-feira, pelo Padre Domingos Pedroso, no então curato do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, hoje, concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal (Etombo: livro 3-B, caixa 2, folhas 16).17
II-3 – MANUEL FRANCISCO LISBOA. Nasceu em Pombais e foi batizado em 24/02/1697 - domingo, pelo Padre Domingos Pedroso, no então curato do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, hoje, concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal (Etombo: livro 3-B, caixa 2, folhas 26).17 E faleceu aos 70 anos de idade, no dia 07/06/1767 - domingo, na Barra, em Antônio Dias, Vila Rica, atual Ouro Preto, Estado de Minas Gerais.3 Era pedreiro, construtor civil e mestre-de-obra. Tinha 21 anos de idade quando chegou ao Brasil, em princípios de 1718, junto com o seu irmão Antônio Francisco Pombal, pois foi o ano em que ele entrou para a Irmandade do Santíssimo Sacramento (vide livro da irmandade, registro de número 107), instalada em 1716, e pertencente à igreja de Nossa Senhora de Nazaré, de Santo Antônio do Campo, freguesia de Cachoeira do Campo, Minas Gerais; cujo primeiro capelão fora Amador Rodrigues, pelos idos de 1709 – provavelmente companheiro dos primeiros bandeirantes – embora antes deste vivesse aí o Padre Leão Gonçalo falecido em 26/01/1709.4 Santo Antônio do Campo é hoje o distrito de Casa Branca, no município de Ouro Preto. Sabe-se que Manuel Francisco Lisboa fixou residência em Vila Rica, na então capitania de Minas Gerais e que no ano de 1724, obteve sua primeira licença para exercer o ofício de carpinteiro. Ele trabalhou junto com seu irmão Antônio Francisco Pombal na construção da nova igreja matriz de Antônio Dias, então distrito de Vila Rica. Em 1728, ele foi preso por deixar de dar garantias de uma dívida de 100 oitavas de ouro, porém, nesse mesmo ano, ele quitou não só o débito como também o seu imposto profissional. Em 1733, recebeu 200 oitavas de ouro, por serviços de construção civil prestados na matriz de Antônio Dias. Em 1734, entrou em conflito com a Justiça por ter se envolvido com uma mulher chamada Francisca Alves da Costa.3 No ano de 1735, ele foi eleito juiz para o ofício de carpinteiro (Arquivo Público Mineiro, código M.O.P. 36, folha 86). Entre os anos de 1739 e 1740, ele recebeu mais 300 oitavas de ouro pela construção do forro da sacristia da igreja de Nossa Senhora da Conceição, matriz de Antônio Dias.3 Em 1741, ele assinou contrato com o Governo da Capitania de Minas Gerais para a construção do palácio novo dos governadores. Ele foi o primeiro construtor a utilizar a mistura de pedra, cal, itacolomita e quartzita nos prédios, tendo inclusive sido usada na construção do palácio. O risco (projeto) do referido palácio – no valor de 4.000 cruzados (equivalente a um conto e seiscentos mil réis) – foi de autoria de José Fernandes Pinto Alpoim, matemático, engenheiro militar, arquiteto e urbanista do palácio na época; ele era português natural de Viana – hoje Viana do Castelo – nascido no dia 14/06/1700 e que em 07/01/1765, veio a falecer na cidade do Rio de Janeiro.3,5 Em julho de 1745, com a presença do governador, vereadores e oficiais, ele arrematou a execução da obra da nova cadeia de Vila Rica, no valor de 60.000 cruzados (equivalente a vinte e quatro contos de réis). O risco (projeto) foi do guarda-mor José Fernandes Pinto Alpoim, no valor de duzentos e quarenta e seis mil réis (246$000). O Senado firmou contrato para fornecer vinte escravos com guardas e correntes por dia e com despesas pagas até o final da obra. Ainda em 1745, os oficiais da Câmara escreveram comunicando ao Rei Dom João V, o resultado da arrematação e dizendo que a cadeia existente – que fora construída pelo ano de 1723 – encontrava-se arruinada e por isso imprópria para funcionamento, principalmente porque naquela época não se usava obras de pedra e cal. Disseram haver contratado a obra da cadeia de que necessitava Vila Rica, pelo preço de sessenta mil cruzados. El-Rei então ordenou ao Governador Gomes Freire de Andrade que lhe mandasse seu parecer declarando se houve ordem expressa para se fazer esta arrematação e remetendo a planta da obra. Em setembro de 1748, respondeu el-Rei Dom João V dizendo que lhe pareceu já ter ordenado a continuação dessa obra da cadeia de 1723 e que a acabasse conforme estava resolvido na ordem de 15/02/1730. Mas, nessa ocasião de acordo com a ordem de 1730, as obras da cadeia a ser construída com pedra e cal, que foram arrematadas no ano de 1732, não chegaram a ter início. Não se sabe da resposta do governador Gomes Freire de Andrade, mas ficou sem nenhum efeito, tanto essa, como aquela arrematação do mês de julho de 1732.6,7 No ano de 1746, Manuel Francisco Lisboa recebeu o hábito da Ordem Terceira do Carmo. Nos serviços de construção da igreja matriz de Caeté, Minas Gerais, ele teve a competente colaboração do português José Coelho Noronha nos trabalhos de talha.3 Em 1755, realizou restaurações no encanamento de água da casa de fundição, e em 1756, no encanamento do palácio dos governadores.3 Em 1759, deixaram um recém-nascido enjeitado em sua porta, que foi prontamente acolhido como filho e que recebeu o nome de Jacinto.3 Em 1764, ele arrematou as obras para construção de bancos e molduras do palácio dos governadores (Arquivo Público Mineiro, código 75 DF, página 158). Em 1766, arrematou as novas obras da casa da Junta da Contadoria e fez o risco (projeto) da igreja da Ordem Terceira do Carmo, de Vila Rica.3 Manuel Francisco Lisboa morreu na Barra, em Antônio Dias, Vila Rica, num domingo, dia 07/06/1767. Foi inventariado em 31/05/1768 e os poucos bens deixados foram entregues ao seu concunhado, capitão Antônio José Carneiro para pagamento das dívidas contraídas. Deixou viúva dona Antônia Maria de São Pedro com quatro filhos legítimos: Maria da Conceição Lisboa, Joaquina Francisca Lisboa, Félix Antônio Lisboa e Madalena Teresa de Jesus, e também o adotivo Jacinto; ficando como tutor dos filhos menores, o cidadão Antônio Pereira Valadares, tio das crianças e irmão da viúva Antônia Maria de São Pedro,7 filha legítima de José Pereira Luís e de Antônia da Guia, naturais dos Açores. Ele deixou um filho natural do relacionamento que teve antes do casamento, pelos idos de 1736, com sua escrava africana de nome ISABEL

III-1 – ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA – o ALEIJADINHO. Nascido numa sexta-feira, dia 29/08/1738, no lugar denominado Bom Sucesso, na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Vila Rica, na então Capitania de Minas Gerais; brasileiro com meio sangue europeu e meio africano. Por ter nascido escravo, ele foi libertado pelo pai na pia batismal. Recebeu educação escolar primária e teve o aprendizado de entalhador e escultor ainda criança, ajudando e seguindo as atividades do pai e também trabalhando na oficina do seu tio paterno, Antônio Francisco Pombal. Ele procurou também desenvolver suas habilidades profissionais com dois artífices da região: o entalhador e escultor português José Coelho Noronha e o abridor de cunhos João Gomes Batista. Antônio Francisco Lisboa desde cedo teve o seu trabalho observado com muita admiração e respeito pelos grandes mestres da época. Tornou-se um grande arquiteto e um magnífico mestre entalhador, como o chamavam. Possuía um escravo e discípulo nos serviços de entalhamento, que se chamava Justino Ferreira de Andrade. Trabalhava muito como diarista, recebendo na maioria das vezes, meia oitava de ouro puro por dia de trabalho, cujo peso pelos padrões atuais é equivalente ao de 1,7928 gramas, que era valor relativamente muito pequeno pelos seus geniais e magníficos trabalhos. Em 1766, ele fez o projeto (risco) da igreja da Ordem Terceira do Carmo de Antônio Dias e cobrou 50 oitavas de ouro, que correspondem a 179,28 gramas de ouro puro. Era assíduo frequentador das festas populares e dos batuques de Vila Rica. Nessa época, com a sua namorada NARCISA RODRIGUES DA CONCEIÇÃO ele foi pai de Manuel Francisco Lisboa, nascido em 1774; filho natural com o mesmo nome do avô paterno que falecera em 07/06/1767. Ele foi membro da Confraria de São José dos Pardos, em Vila Rica. Por volta de 1778 foi acometido por uma grave doença que gradativa e vagarosamente lhe foi atrofiando os dedos e com o passar dos anos, já mais idoso, o impossibilitando de andar. Pelo grande número de obras atribuídas a ele há uma explicação plausível e consistente: a de que a maioria das peças – madeira ou pedra sabão – eram preparadas e desbastadas por pessoas habilidosas empreitadas e orientadas por ele, enquanto as finalizações com os detalhamentos e acabamentos eram feitas por ele próprio com a ajuda de seus próprios escravos e ajudantes. Já as locomoções do pessoal com as ferramentas e utensílios para outras localidades eram feitas por carroças de tração animal. À luz de documentos, mais especificamente pelos recibos escritos e assinados por ele em "Matosinhos de Congonhas" podemos deduzir que em 11/07/1802 ele tinha ainda razoável mobilidade e destreza com sua mão direita; o que contradiz aos que duvidam de que ele não tivesse condições físicas para executar o grande número de obras importantes que lhe são atribuídas. O Padre Félix Antônio Lisboa – seu irmão por parte de pai – era um amante da arte e do barroco; logicamente que pelo seu espírito cristão, muito deve ter contribuído para o embelezamento das igrejas da região com as obras de Antônio Francisco Lisboa. Em 1796, morreu o seu dedicado escravo Agostinho Angola. Através dos anos muitos historiadores e estudiosos da área da saúde ficavam intrigados com a sua enfermidade. Assim, em época recente, mais precisamente no dia 16/03/1998, foi feita por médicos mineiros, sob a competente coordenação do dermatologista – doutor Geraldo Barroso de Carvalho – a exumação dos seus ossos para estudos. E eles encontraram nos ossos pigmentos avermelhados pela contaminação causada por ferro, quando foi então diagnosticada a sua doença como sendo "porfiria cutânea tardia“. Segundo os médicos, a porfiria manifesta-se em consequência da alteração enzimática na síntese da hemoglobina do sangue, causando um acúmulo exagerado de porfirinas (onde predomina o elemento ferro no organismo). E estas substâncias acumuladas na pele reagem quimicamente com os raios solares ultravioleta, provocando lesões cutâneas como: manchas avermelhadas, bolhas, ulcerações e cicatrizes; e em grau avançado: deformações e mutilações. Contudo, apesar das crescentes dores e limitações ele continuou a produzir suas belas obras. Já mais idoso trabalhou muito com martelo, cinzel, macete e formão amarrados aos punhos por seus ajudantes. Muitas de suas obras-primas foram executadas quando ele já era sexagenário e preferia trabalhar à noite para evitar a luz solar por causa da doença. Nos dois últimos anos de sua vida ele foi acompanhado por sua nora Joana de Araújo Correia, também chamada de Joana Lopes Ferreira que era filha de Ana Lopes Ferreira e que o assistiu na sua lenta agonia. Ele faleceu na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, em Antônio Dias, Ouro Preto – Minas Gerais, numa sexta-feira, dia 18/11/1814, aos 76 anos, 2 meses e 20 dias de idade, depois da longa enfermidade degenerativa, que hoje sabemos ser porfiria. Ele foi sepultado dentro da matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, numa vala comum, sob o piso; nessa época ainda não se usavam bancos na maioria das igrejas; e os sepultamentos eram feitos sempre à noite pela fábrica (nome que se dava ao conselho de clérigos e leigos de uma paróquia, mediante aprovação do bispo, para a administração dos bens da igreja e que possuía alguns escravos para diversos serviços como o de reparos e sepultamentos). Sendo que, no ano de 1930, seus restos mortais foram exumados, junto com os de outras pessoas da mesma vala e transferidos para uma urna de zinco, que fica no túmulo situado em frente ao altar lateral, que é dedicado a Nossa Senhora da Boa Morte. Segundo o doutor Rodrigo José Ferreira Bretas (1814-1866), autor de sua primeira biografia, que foi terminada em 1858, Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho – era um homem que sabia ler e escrever e tinha voz forte, o modo de falar arrebatado e o gênio agastado. Era de estatura baixa, pardo-escuro e de corpo cheio e mal configurado. Sua cabeça era redonda e volumosa, com orelhas grandes e pescoço curto; possuía testa larga e o rosto arredondado; nariz regular e um pouco pontiagudo e lábios grossos. Seu cabelo era preto e anelado, e usava barba cerrada e espessa. Informações estas conseguidas pelo referido biógrafo, não só em entrevistas com a nora dele dona Joana de Araújo Correia, que na ocasião já era octogenária, como também com outras pessoas já idosas que chegaram a conhecê-lo.1,9

Em diversas cidades do Estado de Minas Gerais encontram-se obras suas embelezando igrejas e outros locais.
Em relatório sucinto podemos destacar as seguintes obras que lhe são atribuídas:
No Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas:
● As seis Estações da Via Crucis com os Passos da Paixão de Cristo composta de 66 esculturas em cedro, distribuídas em diversas capelas: Ceia, Horto, Prisão, Flagelação, Cruz-às-Costas e Crucificação (1796-1799).

● O Adro dos Doze Profetas esculpidos em pedra-sabão: Amós, Abdias, Jonas, Baruc, Isaías, Daniel, Jeremias, Oseias, Ezequiel, Joel, Habacuc e Naum (1800-1805).

● A imagem de São Joaquim.

● Risco (projeto) e escultura da sobreporta.

● Risco (projeto) do coro da igreja.

Na Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto:

● O risco (projeto) da parte de alvenaria de toda igreja, construída sob sua orientação e direção.

● A escultura de dois púlpitos em pedra-sabão, com a figura dos quatro Evangelistas, tendo Jesus Cristo ao centro, pregando de dentro de um barco no lago Tiberíades (1771).

● O risco (projeto) e esculturas da portada.

● O risco (projeto) do altar-mor e do retábulo.

● O risco (projeto) dos altares laterais.

● O risco (projeto) da abóbada de barrete do clérigo.

● O risco (projeto) da capela-mor.
Na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto:

● Modificações no projeto original da fachada principal, nas esculturas da sobreporta, do lavatório da sacristia, da tarja do arco-cruzeiro e dos altares de São João Batista e de Nossa Senhora da Piedade.

Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto:

● A imagem de Santa Helena.

● A imagem de São Jorge.

● A imagem de Nossa Senhora.

● A imagem de Cristo, na coluna.

Na igreja das Mercês e Perdões, também conhecida como igreja das Mercês de Baixo, em Ouro Preto:

● O risco (projeto) da capela-mor.

● A imagem de São Pedro Nolasco.

● A imagem de São Raimundo Nonato.

Na igreja de São José, em Ouro Preto:

● O risco (projeto) da capela-mor.

● O risco (projeto) da torre.

● O risco (projeto) do retábulo.

Na igreja de São Francisco de Paula, em Ouro Preto:

● A imagem de São Francisco de Paula.

Na igreja de São Miguel e Almas, em Ouro Preto:

● A estátua de São Miguel Arcanjo.

● As esculturas na fachada principal.

Na igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro de Antônio Dias, em Ouro Preto:

● Quatro suportes de catafalco.

No Museu da Inconfidência, em Ouro Preto:

● Quatro figuras de presépio.

No Hospício da Terra Santa, em Ouro Preto:

● O chafariz em pedra-sabão, no monastério (1757).

● No Chafariz do Pissarão, em Ouro Preto.

Em Mariana:

● O chafariz da Samaritana.

Na igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Sabará:

● O risco (projeto) do frontispício.

● Os ornatos da porta.

● Os entalhes da empena.

● Os dois púlpitos.

● Os dois sustentáculos do coro.

● A imagem de São Simão Stock.

● A imagem de São João da Cruz.

No Museu do Ouro, em Sabará:

● A imagem de Santa Ana e Nossa Senhora.

● A escultura do Anjo segurando o Cálice.

● A escultura do Busto e Relicário.

Na Igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rei:

● O risco (projeto) total.

● As esculturas da portada.

● O risco (projeto) do retábulo da capela-mor.

● O risco (projeto) dos altares colaterais.

● A imagem de São João Evangelista.

Na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São João del Rei:

● O risco (projeto) original do frontispício ou fachada principal (1777).

● A execução da maioria das esculturas da portada (1777).

Na Igreja Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes:

● O risco (projeto) do frontispício (1777).

Na Igreja Matriz de São João Batista, em Barão de Cocais:

● As modificações nas torres da igreja.

Com colecionadores (conforme pesquisas pela internet):

● Imagem de Nossa Senhora do Rosário.

● Escultura da Ressurreição de Cristo.

● Imagem de São Jorge.

● Imagem de Santa Luzia.

● Imagem de Nossa Senhora das Dores.

Provavelmente após pesquisa mais acurada, algumas outras obras poderão ser acrescentadas a esta relação.1,3,4,5,6,7,8,13,14

IV-1 - MANUEL FRANCISCO LISBOA. Filho natural de Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho e de sua amante Narcisa Rodrigues da Conceição. Escultor, nascido no ano de 1774, em Vila Rica – Minas Gerais; que recebeu o mesmo nome do seu avô paterno Manuel Francisco Lisboa. Em 1804 ele residia no distrito de Alto da Cruz, em Vila Rica e tinha então 29 anos de idade. Casou-se no dia 29/11/1800 na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Antônio Dias, Ouro Preto, com JOANA DE ARAÚJO CORREIA, também chamada de JOANA FRANCISCA LOPES, parteira, descendente de africanos, nascida no ano de 1770, pois, contava 34 anos de idade no censo de 1804, e que era filha de Francisca Lopes Ferreira. Joana Francisca Lopes foi quem hospedou e cuidou do Aleijadinho nos dois últimos anos de sua vida. Em 1804, o casal tinha apenas um filho.1,10,11,12

V-1 – FRANCISCO DE PAULA LISBOA. Nascido cerca do ano de 1802, no Alto da Cruz, em Ouro Preto, Minas Gerais. Tinha apenas um ano de idade, de acordo com o censo de 1804.8,10

II-3 – MANUEL FRANCISCO LISBOA casou-se no dia 07/10/1738, na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Antônio Dias, Vila Rica, Minas Gerais, com ANTÔNIA MARIA DE SÃO PEDRO, que era analfabeta, natural de Horta, ilha do Faial, Açores, Portugal. Filha legítima de José Pereira Luís e de Antônia da Guia. Eram seus irmãos: Antônio Pereira Valadares; Eugênia Maria do Carmo casada com José de Souza Moura, natural da freguesia de São Tiago de Inhaúma, Rio de Janeiro e que era filho do português Manoel de Souza Moura, natural do Porto e de Antônia de Zárate e neto materno de Don Juán de Zárate e de Mariana de Oliveira; Josefa Maria de Jesus casada com o capitão Antônio José Carneiro, natural do Porto, Portugal, filho de Antônio José Carneiro e de Antônia Josefa; e Ana Maria de Jesus casada com Luís de Souza Moura, natural da freguesia da Candelária, Rio de Janeiro, irmão e concunhado do acima citado José de Souza Moura. O casal teve quatro filhos legítimos e um adotivo. Manuel Francisco Lisboa morreu num domingo, dia 07/06/1767, em Antônio Dias, então distrito e hoje bairro de Ouro Preto. No seu inventário datado do dia 31/05/1768, ficou como tutor dos filhos menores o cidadão Antônio Pereira Valadares, seu concunhado e tio materno das crianças.1,13,14

III-2 – MARIA DA CONCEIÇÃO LISBOA nascida em 1745, em Antônio Dias, Vila Rica. Ela contava 59 anos de idade no censo de 1804, era solteira e residente em Antônio Dias.15

III-3 – JOAQUINA FRANCISCA LISBOA nascida em 1748, em Antônio Dias, Vila Rica. Ela tinha 56 anos de idade no censo de 1804, era solteira e residente em Antônio Dias.15

III-4 – FÉLIX ANTÔNIO LISBOA, Padre ordenado em Mariana e também escultor, nascido em 1752, em Antônio Dias, Vila Rica. O Reverendo Padre Félix Antônio Lisboa tinha 50 anos de idade, no censo de 1804; residia então no Distrito de Antônio Dias, em Ouro Preto, Minas Gerais, e com ele moravam as suas irmãs: Maria da Conceição Lisboa, Joaquina Francisca Lisboa e Madalena Teresa de Jesus; e os agregados pobres: Josefa, parda forra de 22 anos de idade, Gertrudes, parda forra de 13 anos de idade; Catarina, parda forra de 10 anos de idade e Manoel, pardo forro de 8 anos de idade. O Padre Félix Antônio Lisboa morreu no dia 30/05/1838 – quarta-feira, em Ouro Preto (MG), com cerca de 86 anos de idade.1,15,16
III-5 – MADALENA TERESA DE JESUS, nascida em 1758, em Antônio Dias, Vila Rica, Minas Gerais. Ela era solteira e tinha 46 anos de idade no censo de 1804. Residia em Antônio Dias.15

III-6 – JACINTO, filho adotivo, nascido no ano de 1759. Filho de pais incógnitos que o enjeitaram ainda recém-nascido em 1759, deixando-o na porta da casa de Manuel Francisco Lisboa e que foi prontamente adotado pela família.1
II-4 – FRANCISCO. Nasceu em Pombais e foi batizado em 15/11/1699 - domingo, pelo Padre Domingos Pedroso, no então curato do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, hoje, concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal (Etombo: livro 3-B, caixa 2, folhas 38).17
II-5 – ANTÔNIA. Nasceu em Pombais e foi batizada em 01/11/1702 - quarta-feira, dia de Todos os Santos, pelo Padre Domingos Pedroso, no então curato do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, hoje, concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal (Etombo: livro 3-B, caixa 2, folhas 54 verso).17
Fontes bibliográficas:

1 SALES, Fritz Teixeira de (06/03/1917–04/1981) – Livro: "Vila Rica do Pilar", Livraria Itatiaia Editora Limitada (Belo Horizonte) e Editora da Universidade de São Paulo (São Paulo), 1982. Vide páginas 52, 98 a 102 e 116 a 128.

2 Livro: "Anuário do Museu da Inconfidência" – 284 páginas, Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Ministério da Educação e Saúde, Museu da Inconfidência, Ouro Preto (MG), 1952. Vide página 122 – Campanário da Câmara.

3 SALES, Fritz Teixeira de (06/03/1917–04/1981) – Livro: "Vila Rica do Pilar", Livraria Itatiaia Editora Limitada (Belo Horizonte) e Editora da Universidade de São Paulo (São Paulo), 1982. Vide páginas 98 a 100.

4 "Revista do Archivo Publico Mineiro" – Direção e Redação de Antônio Augusto de Lima (05/04/1859–22/04/1934), Diretor do mesmo Arquivo. Ano XIII, 1908, Imprensa Oficial de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1909. CD 3\003\13\00000069 a 00000076, páginas 83 a 97.

5 ARAÚJO, Monsenhor José Pizarro (12/10/1753–14/05/1830) – Livro "Memórias Históricas do Rio de Janeiro" – tomo IV, ano de 1820.
6 Livro: "Anuário do Museu da Inconfidência – Ano III" – 284 páginas, Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Ministério da Educação e Saúde, Museu da Inconfidência, Ouro Preto (MG), 1952. Vide páginas 126 e 127 – Projeto de Alpoim.

7 Livro: "Anuário do Museu da Inconfidência" – 284 páginas, Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Ministério da Educação e Saúde, Museu da Inconfidência, Ouro Preto (MG), 1952. Vide página 205.

8 Centro Histórico da Família – CHF, Internet, endereço: http://www.familysearch.org, batch número M680576; filme número 1284549, referente ao período 1727–1782, igreja Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil – casamento de Inácio da Costa Lisboa, em 27/06/1753.

9 "Revista do Archivo Publico Mineiro" – Direção e Redação de José Pedro Xavier da Veiga (13/04/1846–08/08/1934), Diretor do mesmo Arquivo. Ano I, Fascículo 1.º – Janeiro a Março de 1896, Imprensa Oficial de Minas Gerais, Ouro Preto, 1896 – Vide página 163.

10 MATHIAS, Herculano Gomes – Livro: "Um Recenseamento na Capitania de Minas Gerais, Vila Rica – 1804", Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, 1969. Vide página 152.

11 MATHIAS, Herculano Gomes – Livro: "Um Recenseamento na Capitania de Minas Gerais, Vila Rica – 1804", Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, 1969. Vide Índice Onomástico n.º IX.

12 MATHIAS, Herculano Gomes – Livro: "Um Recenseamento na Capitania de Minas Gerais, Vila Rica – 1804", Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, 1969. Vide Índice Onomástico n.º XXIX.

13 Livro: "Anuário do Museu da Inconfidência – Ano III" – 160 páginas, Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Ministério da Educação e Saúde, Ouro Preto (MG), 1954. Vide páginas 122 a 124.

14 Centro Histórico da Família – CHF, Internet, endereço: http://www.familysearch.org, batch número M680576; filme número 1284549, referente ao período 1727–1782, igreja Nossa Senhora da Conceição, Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil – casamento de Manuel Francisco Lisboa, em 07/10/1738.

15 MATHIAS, Herculano Gomes – Livro: "Um Recenseamento na Capitania de Minas Gerais, Vila Rica – 1804", Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, 1969. Vide Índice Onomástico n.º XIX e página 50.

16 "Revista do Archivo Publico Mineiro" – Direção e Redação de José Pedro Xavier da Veiga (13/04/1846–08/08/1900), Diretor do mesmo Arquivo. Ano I, Fascículo 1.º – Janeiro a Março de 1896, Imprensa Oficial de Minas Gerais, Ouro Preto, 1896 – página 173 – Padre Félix morreu em 30 de maio de 1838, em Ouro Preto, então Capital de Minas Gerais.
17 Internet - web: vide Etombo, concelho de Odivelas, comarca de Loures, distrito de Lisboa, província da Estremadura, Portugal: livros de batizados 2-B e 3-B.
Autor:
Luiz Fernando Hisse de Castro
São José dos Campos - SP

23/04/2010